sábado, 23 de maio de 2009

e de repente, a noite

E de repente sem explicação
A noite voltou a trazer a paz
Sem deixar dúvidas no ar
Sem certezas no vazio do pensar

E de repente tudo tomou seu lugar
Agora sei onde quero chegar
Onde quero me perder
Onde preciso me encontrar

E de repente a noite se mostra
Linda na fragilidade de ser vencida pela luz
Forte por esconder lágrimas e sorrisos
Em curvas e portos de partida e chegada

De repente a noite morre no horizonte distante
Distante apenas por um minuto de silêncio
Doloroso na angustia de ser o novo chegando

Assim de repente a noite me brinda
Com o sol da aurora de outrora
Tudo pode ser, com a beleza final
A noite, e de repente eu vejo
A certeza da noite na clareza do dia


sexta-feira, 1 de maio de 2009

Novamente

Novamente o mundo roda
Sem saber onde parar
Sem ao menos se entender
Sem ao menos explicar

Com o rodar da maré
Perdi o ponto escolhido
Perdi o rumo querido
Achei um velho caminho

Agora não sei o que fazer
Não sei para qual direção correr
Só me resta parar e esperar


segunda-feira, 27 de abril de 2009

Vejo a menina crescer

No meio do correr do tempo

Se transformou sem ao menos notar

Nem ao menos percebeu o dia mudar

E que já não é mais tempo de chorar


Moça acordo do sono necessário

Falta ainda terminar de acordar

Falta perceber o que ainda tenho medo

Perceber saber o local que quero chegar


Quero fazer parte desse breve acordar

Queria poder fazer acordar de vez no mundo

Sei que não sei como participar da mudança

Mas apenas queria sonhar com ela

sábado, 18 de abril de 2009

P.S.

Descubro em cada sorriso
Novas virgulas, novas fases
Novas ondas
Vejo um dia nascendo
Rumo ao horizonte
Distante demais
Mas perto do cais seguro
Cada gesto solto completo
No ar livre da dor de se saber
Realmente concreto
Descobri a novidade
Já tão velha, já tão gasta
Descoberta e redescoberta tantas vezes
No correr das luas e seus ciclos infinitos
Descobri que não importa o tempo
Sempre estarei esperando algo
Certo ou incerto
Alguém real ou apenas um sonho
Que quem sabe seja eterno como o mar
Origem e fim de tudo

domingo, 5 de abril de 2009

Não creio no dia perfeito
Perdi a fé nos sonhos
Hoje sei que tudo acaba
Tomará

Foi fácil chegar até aqui
Marcas e cicatrizes me acompanharam
Deixei os medos pelo longo caminho
Hoje me sinto só

Não creio nos dias passados
Esqueci de marcar meus passos
Me perdi no meio da noite
Agora encontro a verdade

Foi fácil deixar tudo
Mas não sei se chego ao final
Não sei como seria o fim
O medo parece surgir

Não foi fácil traçar planos a esmo
Foi fácil crer em dias de sol
Agora só resta esperar
Quem sabe o mundo girar

sábado, 4 de abril de 2009

1

Não sei o que pensar
Tantas confusões cercam a vila abandonada
Lutas por causas tão ocultas no tempo passado
Guerras moldadas em cima de mesas pálidas

Não sei como lutar
Todas as certezas se perderam no ar do tempo
Toda a força parece abandonar a mente vazia
Deixando apenas um navio fantasma no mar

Não sei como devo ser
Sobrevivente do caos de ser vivo e só
Ferido por tantos dias e noites de verão
Preso em um canto de ilusões perdidas

Só sei lutar e pensar
Em um dia poder encontrar, num breve pulsar
A razão pra sonhar e acordar num mundo a parar
Achar no seu olhar, um sorriso de quem vai acordar

sexta-feira, 3 de abril de 2009

Pela janela

Uma janela aberta para um novo mundo
Sem atalhos ou fugas, uma nova forma
Nada pode assustar nessa hora de caos
A novidade chega pela janela aberta

Tudo claro num mundo escuro
Falta uma luz de certeza
No chão da razão solta
Encontra sombras escondidas
Na ausência da luz certa

Sem ao menos notar o caos
O mundo segue a cantar
Vendo pela janela nascer
Um dia belo morrer